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domingo, 24 de julho de 2011



" Quando o coração não tem



Nenhum sinal de doença



O corpo se sente bem



Tem vigô e tem resistença,



Se o coração tem prazê



Alegra o resto do sê



Pois ele é o condutô,



Veve sempre satisfeito



Quem pissui dentro do peito



Um coração sonhadô.







Quando se encontra o sujeito



Por uma afrição passando



Tá também dentro do peito



O coração chucaiando.



Se o sujeito fica triste



Na tristeza ele pressiste



Se o sujeito tá risonho,



Logo ele muda de jeito



Batendo dentro do peito



Cheio de esperança e sonho."




trecho do poema Coração Doente, Patativa do Assaré
foto de Alécio Cezar, apresentação no Engenho Teatral/SP














sábado, 16 de julho de 2011

Festival Assitej, em Copenhagen, Dinamarca


Teatro

Em maio desse ano, participamos do "17th Assitej world congress and perfoming arts Festival for young audiences",em Copenhagen, na Dinamarca. É um encontro que acontece a cada dois anos em locais diferentes do mundo e também com espetáculos de todos os continentes. Uma semana em que é possível assitir peças da Rússia, Espanha, Canadá, Turquia,Japão, Dinamarca , Lituania, Austrália, Brasil, e por aí vai...Fomos representar o Brasil juntamente com o Grupo Sobrevento que se apresentou no mesmo festival que se estendeu também a Malmoe, na Suécia, que é bem ao lado da Dinamarca. Fizemos seis apresentções por lá! Grande oportunidade de troca com pessoas do mundo inteiro que estão pensando, trabalhando e sentindo a arte.







equipe do teatro e do festival






E dentro disso, dessa troca, é que surgem também as dúvidas: como fazer um espetáculo que tem a palavra como presença fortíssima no desenrolar e entendimento dela num lugar onde ninguém fala sua língua? Claro que uma peça se "traduz" também pelo entendimento por outras vias que não só a racional! Mas é muito diferente você dizer um poema do Patativa(que já tem uma característica tão única por si só) num ambiente assim. Bom, depois de muita conversa, reuniões regadas à vinho, música e preocupações com o " se fazer comunicar", chegamos a conclusão de fazer uma apresentação totalmente em português, outras com a Rádio em inglês( e poemas, canções e depoimentos em português) e, por fim, algumas traduzindo também os depoimentos.







Experiência riquíssima o " se fazer entender' em outras paragens! Como disse o Rodrigo em sua fala na cena da seca, na qual ele interrompe a peça, estávamos num lugar em que a grande maioria usava o inglês pra se comunicar (como já é sabido no mundo todo!),mas a língua-mãe local era o dinamarquês, a nossa era o português e na platéia, nossa, provavelmente umas dez línguas maternas diferentes em cada sessão!!! Todos éramos ali um pouco estrangeiros, fosse na língua, no solo, na construção de pensamento...










Porém, a dor da morte, a seca , seja ela a de fome ou de alma, o amor, as perdas, ultrapassam qualquer fronteira. Clichê mais que verdadeiro! rs e vai bem de encontro, óbviamente, com a proposta do festival " Building Bridges - Crossing Borders", algo como " Construindo Pontes - Atravessando Fronteiras". E a cena em que escrevemos o nome das cidades das pessoas da lona então... se tranformou numa espécie de mapa mundi!





E pensar que Patativa dizia sempre: O que é que eu vou fazer no estrangeiro se nem a minha língua eu sei falar direito."





Pois sua poesia é universal!Voa longe!





Viva a poesia brasileira pelo mundo! Viva Patativa do Assaré!




Saúde!





por Karen Menatti

fotos de Alécio Cezar

Matérias na internet

- Texto escrito por John Leykan, no blog " john-pordentrodoassunto"
07 de julho de 2011
Alegrete, RS

http://john-pordentrodoassunto.blogspot.com/2011/07/um-refugio-numa-noite-de-quarta.html





- Matéria feita por Pollyana Diniz em seu bolg "Satisfeita, Yolanda?"
12 de maio de 2011
Recife, PE



http://www.satisfeitayolanda.com.br/blog/tag/cia-do-tijolo/




- Texto escrito por Edson Bueno (Grupo Delírio) no "grupodelíriopalcogiratorio"
16 de abril de 2011
Vitória da Conquista,BA

http://grupodeliriopalcogiratorio.blogspot.com/2011/04/quando-e-que-vai-chover-dentro-de-mim.html

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Oi gente!
Refiz a somatória hoje.
Antes eu tinha feito o cálculo até outubro de 2010.
Eram 74 apresentações com o total de 5408 pessoas.

Hoje dia 15 de junho de 2011, somando Centro Cultural, Suzano, Santo André, Europa e Palco Giratório até Dourados:

São 122 apresentações com total de 9827 pessoas que já assistiram Concerto de Ispinho e Fulô!!!

Estamos chegando nos 10 mil!!!

Beijos e parabéns a todos nós...


Thais Pimpão

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Patativa - Antônio Cícero- MaiaKóvisk

Antonio Cícero

Guardar


Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.
Por isso, melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que de um pássaro sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.



Dor gravada

Gravador que estás gravando
aqui no nosso ambiente,
tu gravas a minha voz,
o meu verso, o meu repente
mas, gravador, tu não gravas
a dor que o meu peito sente.

Tu gravas em tuas fitas
com a maior perfeição
o timbre da minha voz
e a minha fraca expressão,
mas não gravas a dor
gravada em meu coração.

Gravador, tu és feliz,
e, ai de mim, o que esperar?
Bem pode ser desgravado
quem em tua fita está.
E a dor do meu coração
jamais se desgravará.




Sei o puldo das palavras a sirene das palavras
Não as que se aplaudem do alto dos teatros
Mas as que arrancam caixões da treva
e os põem a caminhar quadrúpedes de cedro
Às vezes as relegam inauditas inéditas
Mas a palavra galopa com a cilha tensa
ressoa os séculos e os trens rastejam
para lamber as mãos calosas da poesia
Sei o pulso das palavras parecem fumaça
Pétalas caídas sob o calcanhar da dança
Mas o homem com lábios alma carcaça.