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quarta-feira, 3 de março de 2010

Viagem que quer chegar...


Por Karen Menatti

" Viagem que quer chegar...
Velho Chico, verde, nuvem, só!
Sobradinho
Deságua vidas,
Me água."


Assaré em Festa

Desde o dia primeiro Assaré festeja o aniversário de Antonio Gonçalves da Silva. Nessa noite, sob uma imensa e amarelada lua sertaneja, saímos de Juazeiro do Norte em direcão a Assaré, o que significa umas duas horas de estrada. Visistamos o Memorial do Patativa e lá encontramos o seu filho mais velho, Seu Geraldo. Ouvimos as suas histórias especialmente a que relatava orgulhoso, o dia em que recebeu uma homenagem dada a seu pai (incuindo abraço caloroso) do Presidente Lula, e embalados pelo seu timbre de trovão, alguns trechos de poemas paternos.
Terminamos a noite em celebração com toda cidade num parquinho e dois palcos montados na praca principal.
Parquinho de cidade pequena, forró de Santana, mungunzá salgado, a lua, a estrada e uma leve brisa...

"...Teus vento assopra maêro durante os teus mêis di istio
Trazendo um certo tempêro que num faz calor nem faz frio..."

A viagem -

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Entrevista - Programa Entrelinhas

Programa Entrelinhas da TV Cultura, especial sobre Patativa do Assaré, exibido em 31 de Agosto de 2009.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Matéria Publicada no Estadão em 20 de Agosto de 2009, no Caderno 2

Retrato de um poeta e seu tempo
Concerto de Ispinho e Fulô escapa do laudatório ao falar de Patativa do Assaré

Beth Néspoli

"A simples visão da cenografia que toma todo o centro da sala entre as duas fileiras de cadeiras laterais reservadas ao público já desperta a sensação de que se verá um belo espetáculo. Vários objetos rústicos, como tijolos artesanais, lamparinas, chapéus de couro, flores coloridas de papel, dezenas de sinos de tropeiro, desses que ficam pendurados no pescoço do gado, espalham-se pelo chão da sala no 3º andar do Sesc da Avenida Paulista. Sobre o piso forrado de papel pardo, esses objetos formam uma atraente cartografia, com nomes como Cariri e Assaré escritos a giz."

Para ler a matéria completa, acesse: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090820/not_imp421674,0.php

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Patativa, Paulo Freire e a Cia. do Tijolo

Patativa, Paulo Freire, e a Cia. do Tijolo
Por Rodrigo Mercadante

A idéia de fundar a Cia. do Tijolo surgiu do desejo de Dinho Lima Flor de criar um trabalho sobre a vida e a obra do poeta Patativa do Assaré. Juntamo-nos a ele Fabiana Barbosa e eu. De um primeiro contato com os poemas nasceu o show “Cante Lá que eu Canto Cá”, uma espécie de sarau literário e musical. Mas não foi o bastante. Na medida em que nos aprofundávamos no universo do poeta, percebíamos que o show não era o suficiente para abarcar a complexidade da obra e, principalmente, não revelava ao público a singularidade da trajetória de vida desse agricultor, poeta e cantador.


Qual seria a melhor forma de levar Patativa aos palcos? Era preciso que se encontrasse um ponto de vista, um ponto de partida, para podermos LER Patativa e encará-lo sem nos perdermos na infinidade de assuntos dos quais ele trata ou sem cairmos na tentação de simplesmente dramatizar sua biografia.


A luz veio numa conversa entre mim, o diretor Ilo Krugli e a educadora Rita Rozeno em Theotônio Villela, cidade com um baixíssimo índice de desenvolvimento humano localizada no interior de Alagoas. Conversávamos sobre o fato de o Brasil possuir um dos maiores índices de analfabetismo funcional do mundo e nos assombrávamos com a contradição de que isso acontece no país onde o grande educador Paulo Freire desenvolveu sua pedagogia do oprimido.

A conexão se fez imediatamente em minha cabeça. Patativa foi um homem que estudou só seis meses e desenvolveu extraordinariamente em si as possibilidades poéticas, práticas, reflexivas no manejo da língua. Qual caminho percorreu Antônio Gonçalves da Silva até alçar vôo e chegar à Patativa? Talvez as concepções de Paulo Freire sobre o conhecimento e sobre o ser humano nos desse um norte para a leitura e para a análise da obra do mestre cearense.


E é aí que se explica o nome da Cia. do Tijolo. O primeiro passo no processo de alfabetização do método criado por Paulo Freire é o levantamento do universo vocabular dos grupos com que se trabalha; são palavras ligadas às experiências existenciais, profissionais e políticas dos participantes dos diferentes grupos. Foi assim que em Brasília, cidade ainda em construção nos anos 60, surgiu entre os estudantes de Paulo Freire a palavra TIJOLO.


Para essa empreitada, a aventura de criar um trabalho em conjunto, vieram Rogério Tarifa, Karen Menatti, Aloísio Oliver, Maurício Damasceno, Jonathan Silva e Thais Pimpão. Com eles, as histórias pessoais e profissionais de cada um. Vieram as experiências com Ventoforte, Casa Laboratório e Cia. São Jorge. Vieram Tacaimbó, Belo Horizonte, Maringá, Vitória e São Paulo. E hoje vivemos a aventura de construir o que é a Cia. do Tijolo. Por enquanto, somos um recém nascido que tateia e deseja. TIJOLO é nossa ‘palavra geradora’, nosso princípio de orientação na construção deste “Concerto de Ispinho e Fulô”.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

O narrador

“A narrativa, que durante tanto tempo floresceu num meio de artesão – no campo, no mar e na cidade –, é ela própria, num certo sentido, uma forma artesanal de comunicação. [...] Ela mergulha a coisa na vida do narrador para em seguida retirá-la dele. Assim se imprime na narrativa a marca do narrador, como a mão do oleiro na argila do vaso.”
“Quem escuta uma história está em companhia do narrador; mesmo quem a lê partilha dessa companhia.
“O grande narrador tem sempre suas raízes no povo, principalmente nas camadas artesanais.”

Do narrador Walter Benjamim